O Scottish piper prefere o altruísmo. Se o meu ambiente, se as pessoas que me rodeiam, não estiverem bem, como eu posso estar?
A respeito, três frases interessantes. A primeira é do Swami Sivananda: seja bom, faça o bem. A segunda do rabino Hillel: Se não sou por mim, quem sou? Se sou só por mim, o que sou? E a terceira é do cristianismo: Faça aos outros o que quer que lhe façam.
Este gesto do hinduísmo é o namaste, que significa “saúdo você”, mas que o esoterismo sofisticou e transformou em “o Deus que há em mim saúda o Deus que há em você”. No budismo, é um mudra chamado anjali. Qualquer que seja a interpretação, demonstra respeito pelo próximo – altruísmo.
Como dizia o sábio Vinícius em Cotidiano No. 2, musicada pelo Toquinho, “eu abro meu Neruda e apago o sol”. No caso do poetinha, possivelmente ele estava se referindo a uma pequena fuga da realidade, fuga que não conseguiu empreender porque ele acaba … “discutindo futebol”.
Mas pelo menos Vinícius fez com que muitos procurassem conhecer a obra genial do chileno Neruda, nascido Neftalí Ricardo Reyes Basoalto.
Este que vos escreve, do alto da colina de onde se avista o Glen Shiel – onde, em 1719, ao lado de meu primo William Mackenzie, combati as forças inglesas -, dedica o poema de Neruda a seguir à sua milady.
Composta e produzida em 1984 por Stevie Wonder para o filme Lady in red (Dama de Vermelho), com Kelly LeBrock e Gene Wilder, esta é uma canção especial. Nestes tempos de trabalho incessante, de tempo escasso e de muita banalidade, consumismo e vácuo emocional na comunicação interpessoal, quem não gosta de saber que um telefonema foi dado ao interlocutor (ou interlocutora, no caso da adorável milady) apenas para dizer, eu te amo?
Há músicas com um poder extraordinário de encantar. É o caso do Dueto das flores, da ópera “Lakmé”, composta por Delibes e estreada em 1º de março de 1886 em Nova York. Enjoy.
Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924) foi advogado, político, jornalista, juiz, e hoje é nome de distrito do Guarujá, no litoral paulista. Como poeta parnasiano, louvou o mar, mas produziu belos poemas de amor, como este que o Scottish piper dedica a milady.
Alguns poetas têm o dom de mudar o sexo da voz narrativa de seus textos. É o caso do Chico Buarque, por exemplo, e, como descobri recentemente, do Mário Quintana. Este Certezas dele é um ótimo exemplo, embora o que ele diz seja verdadeiro tanto na voz de um homem como na de uma mulher.
Fizeram vários trabalhos sobre o Certezas no YouTube, e o Scottish piper escolheu este para sua milady. Ela foi o farol que apontou para o poeta gaúcho.
Tem fundo musical legal: Iris, com Goo Goo Dolls. Uma frase da música: Eu desistiria da eternidade para tocá-la / Pois sei que de algum modo você pode me sentir / Nunca estarei mais perto do paraíso do que agora… (Ganhou dois pontos na média quem lembrou que essa música faz parte do Cidade dos anjos, com a Meg Ryan e Nicolas Cage).
Thanks, milady.
Certezas (Mário Quintana)
Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas de que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem; o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível.
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
Para celebrar um dia especial, este humilde vate reuniu algumas frases e ainda pediu a aqueles rapazes de Liverpool para cantar Happy birthday to you. Como dizem os italianos, centi di questi giorni! Que você continue a iluminar a vida das pessoas que você toca.
A despeito de todo progresso da Medicina, ainda não há cura para um simples aniversário. [Senador John Glenn]
Um diplomata é aquele que se lembra sempre do aniversário de uma mulher, mas nunca da sua idade. [Robert Frost, poeta]
Hoje é o seu aniversário. Ainda não sei o que te dar de presente. Pensei ontem, antes de dormir, em te dar o céu. Mas ele é tão grande que não ia caber numa caixinha; eu até poderia dar um jeito, mas ainda não encontrei um bom lugar para por as estrelas. [Adaptado de um texto de Renata Pacheco Braz]
A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito? [Charles Chaplin]