Arquivo da categoria ‘Escócia’

NOT St Valentine’s Day

Quarta-feira, 11 Junho 08

O Brasil é um país diferente… Dia dos Namorados em junho? Great Scott!

 

Como nós, escoceses, celebramos? As pessoas enviam cartões ao significant other anonimamente. Esses cartões, os Valentines, são geralmente recortados na forma de corações vermelhos, refletindo o amor. As pessoas ficam esperando a chegada do carteiro para ver se um coração vermelho está a caminho. (Lembra-se dos quadrinhos do Snoopy?)  

 

Bem, até aqui, suponho que seja parecido com o Dia dos Namorados de outros lugares. Mas o que é peculiar sobre a Escócia é a tradição do date. A primeira pessoa do sexo oposto encontrada no Dia de S. Valentim é o Valentine, e o dia é comemorado ao lado dela… Tem até uma música, My funny Valentine, gravada – entre outros – por Frank Sinatra, que, suponho, refira-se a essa tradição escocesa. 

 

Bem, e antecipando o Dia dos Namorados – que não é o Valentine’s Day, felizmente para mim e para milady – o Scottish piper escolheu uma música com os The Ink Spots, grupo vocal de grandes qualidades, que foi o primeiro a gravar If I Didn’t Care, de Jack Lawrence em 1939.  

 

Well, milady, e por que essa música, você pode se perguntar. Ora, fala de amor, de como é grande meu amor, e lembra que me preocupo com você… essas ruas desertas e perigosas à noite… e de como espero você ligar para me tranqüilizar. Pois é, if I didn’t care… mas I care so much about you. Leia a letra, ouça a música, sinta meu coração batendo mais forte quando você está por perto.  

 

 

If I didn’t care more than words can say

If I didn’t care would I feel this way?

If this isn’t love then why do I thrill?

And what makes my head go ’round and ’round

While my heart stands still?

 

If I didn’t care would it be the same?

Would my ev’ry prayer begin and end with just your name?

And would I be sure that this is love beyond compare?

Would all this be true if I didn’t care for you?

 

 

 

Eu abro meu Neruda e apago o sol

Segunda-feira, 26 Maio 08

Como dizia o sábio Vinícius em Cotidiano No. 2, musicada pelo Toquinho, “eu abro meu Neruda e apago o sol”. No caso do poetinha, possivelmente ele estava se referindo a uma pequena fuga da realidade, fuga que não conseguiu empreender porque ele acaba … “discutindo futebol”.

Mas pelo menos Vinícius fez com que muitos procurassem conhecer a obra genial do chileno Neruda, nascido Neftalí Ricardo Reyes Basoalto.

Glen shiel.jpg

Este que vos escreve, do alto da colina de onde se avista o Glen Shiel – onde, em 1719, ao lado de meu primo William Mackenzie, combati as forças inglesas -, dedica o poema de Neruda a seguir à sua milady.

Já és minha.

Repousa com teu sonho em meu sonho.

Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.

Gira a noite sobre suas invisíveis rodas

e junto a mim és pura como âmbar dormido…

Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos…

Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.

Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.

sempre viva. sempre sol … sempre lua…

Já tuas mãos abriram os punhos delicados

e deixaram cair suaves sinais sem rumo…

teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,

enquanto eu sigo a água

que levas e me leva.

A noite… o mundo… o vento enovelam seu destino,

e já não sou sem ti senão apenas teu sonho…

 

Um tamborileiro diferente

Terça-feira, 8 Abril 08

Henry David Thoreau (1817-1862) foi, de certo modo, um precursor de muitos movimentos hoje enfeixados sob o rótulo genérico de nova era, o que, em certos meios, assume conotações até pejorativas. Entretanto, é inegável a contribuição de Thoreau, especialmente em seu Walden ou a vida nos bosques, no qual narra sua experiência vivendo alguns anos numa cabana. Seus textos inspiraram, dentre outros, Martin Luther King, Mahatma Gandhi e John Kennedy.

Um dos trechos mais interessantes de Walden é a citação que ele faz ao fato de não acompanhar a corrente, o contingente maior das pessoas de sua época. Por isso mesmo, na década de 1960 – no auge do movimento hippie – esse texto foi usado em pôsteres. É o seguinte: 

“If a man does not keep pace with his companions, perhaps it is because he hears a different drummer. Let him step to the music which he hears, however measured or far away.”   

 

Em tradução mambembe, seria assim: “Se um homem não acompanha o ritmo de seus pares, talvez seja porque ele ouve um tamborileiro diferente. Que ele possa caminhar ao som da música que ouve, por distante que esteja”. [Só para ser diferente - aproveitando o ensejo - usei o tamborileiro, que é o drummer  propriamente dito, e não o tambor, ou drums.]

 

 

O tamborileiro é o elemento que, no regimento – especialmente de gaiteiros de foles – marca o ritmo da marcha dos soldados. Evidentemente, pela própria exigência militar, espera-se que todos os soldados marchem no mesmo ritmo.

 

Mas a idéia, já fora do contexto militar, é que nem sempre a maioria acerta. Nelson Rodrigues, com sua habitual sutileza, dizia que “A unanimidade é burra”. Mas não é para ser diferente por ser. A proposta é ser e não estar nem aí por ser.

 

Caminhe ao som do seu tamborileiro. Não gosta de futebol e prefere hóquei sobre o gelo? Cool. Cachaça não é o seu forte, prefere uma vodka? Nasdaróvia, brindemos a isso. A vida é curta demais para limitações, especialmente aquelas que nós mesmos nos impomos.  

Just be. Seja feliz.

Slainte mhath!

Mais Drummond

Terça-feira, 8 Abril 08

Antes do post, porém, um lembrete: a família Drummond é escocesa! O primeiro Drummond, dizem, foi Maurice Drummond (1060-1093), filho de Georg ou Yorik de Marot, príncipe da Hungria, que teve descendentes na minha gloriosa terra.

Bem, mas genealogia não é meu forte. Encontrei outro poema do Drummond que se encaixa como luva no estado atual deste vate. Enjoy – you are allowed to be emotional. Milady, this one is for you.

Conselho de um velho apaixonado

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer

seu coração parar de funcionar por alguns segundos,

preste atenção: pode ser a pessoa

mais importante da sua vida.

  

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,

houver o mesmo brilho intenso entre eles,

fique alerta: pode ser a pessoa que você está

esperando desde o dia em que nasceu.

 

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo

for apaixonante, e os olhos se encherem

d’água neste momento, perceba:

existe algo mágico entre vocês.

 

Se o 1º e o último pensamento do seu dia

for essa pessoa, se a vontade de ficar

juntos chegar a apertar o coração, agradeça:

Algo do céu te mandou

um presente divino : O AMOR.

 

Se um dia tiverem que pedir perdão um

ao outro por algum motivo e, em troca,

receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos

e os gestos valerem mais que mil palavras,

entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

 

Se por algum motivo você estiver triste,

se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa

sofrer o seu sofrimento, chorar as suas

lágrimas e enxugá-las com ternura, que

coisa maravilhosa: você poderá contar

com ela em qualquer momento de sua vida.

 

Se você conseguir, em pensamento, sentir

o cheiro da pessoa como

se ela estivesse ali do seu lado…

 

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,

mesmo ela estando de pijamas velhos,

chinelos de dedo e cabelos emaranhados…

  

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,

ansioso pelo encontro que está marcado para a noite…

 

Se você não consegue imaginar, de maneira

nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…

 

Se você tiver a certeza que vai ver a outra

envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção

que vai continuar sendo louco por ela…

 

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver

a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

 

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes

na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

 

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção

nesses sinais, deixam o amor passar,

sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

 

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.

Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem

cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

 

 

 

 

 

 

 

Por quê Vate 68?

Segunda-feira, 31 Março 08

 ADVERTISEMENT - 1944 World War Ii Vat 69 Magazine Advertisement

 - Ô MacKenzie Piper, você não quis dizer Vat 69?

- Não, eu quis dizer Vate 68 mesmo.

- Ué, mas o uísque era Vat 69.

- E eu lá tenho cara de uísque? Serei eu amarelo-caramelado, líquido e com uma irresistível atração por pedras de gelo ou gotas de água do rio Bladnoch, próximo à destilaria?

- Tá, não foi isso que quis dizer. Só estranhei o-

- Ah, I give up. Não queria ter de explicar tudo, mas vá lá. Primeiro ia ser você, depois os outros, depois um bandão de curiosos. ‘bora. O nome do uísque se reporta a um tonel – (vat) – de número 69 (como foi que você adivinhou?) – que produziu a melhor mistura dentre 100 que o cidadão William Sanderson produziu para testar um novo uísque, lá pelos idos de 1882. Eu, por meu lado, gosto de me imaginar um vate – poeta, profeta ou coisa do gênero – e o 68 é para não dar conotação, digamos, excessivamente erótica. Assim, Vate 68.

- Ah, e como você gosta de uísque, daí a homenagem.

- Não, eu não bebo uísque.

- Caraca, Scot, aí não entendi mais nada. Você não é – ou foi, sei lá – escocês?

- Ô curioso, você é o quê, brasileiro?

- Sou.

- Cadê a sua garrafa de cachaça e a camiseta do seu clube de futebol?

- Valeu. Fui.

Slainte Mhath!

Sexta-Feira, 28 Março 08

Sim, isso é boa saúde em escocês (scots? gaélico?) A resposta é “slainte mhor” (grande saúde).

Estarei de vez em quando por aqui, tocando minha solitária gaita de foles no alto da colina, contemplando a água das charnecas por onde os grandes de minha terra passaram um dia – William Wallace, Rob Roy, Sean Connery e o Tio Patinhas.

Antes que me perguntem, não, não sou escocês – nesta vida. Fui, antes, gaiteiro do clã MacKenzie, e me chamava Patrick MacKenzie. (Não acredita em reencarnação? Vá ler Darwin, Richard Dawkins ou alguma outra insípida obra materialista.)

Ah, por falar em Escócia: sim, sei que você já estava se perguntando, e, de fato, o  tartan do cabeçalho é o do clã MacKenzie. E, sim, estudei no Mackenzie (SP).