Eu abro meu Neruda e apago o sol

By vate68

Como dizia o sábio Vinícius em Cotidiano No. 2, musicada pelo Toquinho, “eu abro meu Neruda e apago o sol”. No caso do poetinha, possivelmente ele estava se referindo a uma pequena fuga da realidade, fuga que não conseguiu empreender porque ele acaba … “discutindo futebol”.

Mas pelo menos Vinícius fez com que muitos procurassem conhecer a obra genial do chileno Neruda, nascido Neftalí Ricardo Reyes Basoalto.

Glen shiel.jpg

Este que vos escreve, do alto da colina de onde se avista o Glen Shiel – onde, em 1719, ao lado de meu primo William Mackenzie, combati as forças inglesas -, dedica o poema de Neruda a seguir à sua milady.

Já és minha.

Repousa com teu sonho em meu sonho.

Amor, dor, trabalho, devem dormir agora.

Gira a noite sobre suas invisíveis rodas

e junto a mim és pura como âmbar dormido…

Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos…

Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.

Nenhuma viajará pela sombra comigo, só tu.

sempre viva. sempre sol … sempre lua…

Já tuas mãos abriram os punhos delicados

e deixaram cair suaves sinais sem rumo…

teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,

enquanto eu sigo a água

que levas e me leva.

A noite… o mundo… o vento enovelam seu destino,

e já não sou sem ti senão apenas teu sonho…

 


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